Thaís Chanes
Entendo a arte como uma forma de (re)conhecimento da vida.
As obras que me emocionam são aquelas que abrem novas formas de pensar e sentir — obras que expandem a minha consciência além dos limites do que já conheço.
Para mim, a arte — tal como os livros — é alimento para a existência. Ela é um espelho do mundo e da natureza humana, refletindo-os de formas mais ou menos distorcidas, de modo que essas imagens provocam reflexão, suscitam perguntas e oferecem aprendizado àqueles que as testemunham.
Assim como nos conhecemos através da presença do Outro, vemos as nossas próprias fraquezas, forças, obstáculos e possibilidades através das histórias que a arte revela.
A boa arte é, portanto, a união da visão e da forma: uma maneira de ver o mundo apresentada através de uma linguagem estética singular.
É por isso que me sinto atraída por obras que comunicam algo essencial; que oferecem uma dádiva ao público, enriquecendo a vida daqueles que o recebem.
Procuro personagens cujas contradições expõem o frágil equilíbrio entre força e vulnerabilidade — almas presas entre o desejo e a renúncia, cujas imperfeições revelam algo profundamente humano e universal.
Os seus fracassos, virtudes e silêncios são o que mais me cativa. É por isso que sou tão fascinada por personagens que sofrem — personagens que lutam com dilemas morais, enfrentam escolhas impossíveis e revelam as suas vulnerabilidades sem medo.
São trágicos no sentido mais belo: seres imperfeitos que expõem a fragilidade da condição humana e, ao fazê-lo, iluminam caminhos para todos nós.
"A arte é uma forma de (re)conhecimento da vida — as obras de arte são novas formas de pensar e sentir, oferecidas como dádivas ao público. O que me comove não é a recreação, mas a transcendência"
— Thaís Chanes